JÁ OUVIU FALAR DE TENDINITE DO BICEPS? COMO RESOLVER?

Olá, Juniquetes e Juniquitos. Estou de volta!
Hoje vamos conversar sobre a TENDINITE DO BICEPS e como resolver segundo esse estudo:

A influência da mobilização articular nas tendinopatias dos músculos bíceps braquial e supra-espinal.
The influence of joint mobilization on tendinopathy of the biceps brachii and supraspinatus muscles
Barbosa RI, Goes R, Mazzer N, Fonseca MCR

As causas de dor no ombro, as tendinopatias, degenerações dos tendões do manguito rotador, são as mais comuns, sendo registradas em 29% dos pacientes com esta queixa.

Os tendões mais frequentemente envolvidos nas tendinopatias do ombro
são os dos mm. supra-espinal e bíceps braquial, cuja cabeça longa está intimamente relacionada ao complexo do ombro, pela sua origem, sendo um importante estabilizador para esta articulação, apesar deste não integrar o manguito rotador.

Segundo Norkin e Levangie, o bíceps braquial tem mais relevância na disfunção do que na função do ombro.

Historicamente, há duas grandes teorias na etiologia das tendinopatias e, conseqüente, na ruptura dos tendões: uma é mecânica e a outra vascular.

Na teoria mecânica, é discutido que a carga repetitiva, mesmo dentro da faixa de oscilação de tensão normal-fisiológica de um tendão, causa fadiga e eventualmente leva a falência tendínea, pois há acúmulo de danos no colágeno ou em outros componentes da matriz colágena, com tensionamentos repetitivos, até mesmo dentro dos limites fisiológicos de estresse.

Tendões são tecidos metabolicamente ativos e necessitam de aporte vascular. Assim, na teoria vascular, é discutido que certos tendões (incluindo o do m. supra-espinal), ou pelo menos alguns segmentos destes, tenham uma provisão de sangue deficiente, deixado-os mais suscetíveis a degenerações.
.
Estudos comparativos entre tendões humanos normais e degenerados têm mostrado notável diferença na composição da matriz colágena, alterações na distribuição do tipo de fibra de colágeno, com um aumento relativo do colágeno tipo III sobre o colágeno tipo I, e, em algumas lesões, proliferação fibrovascular e a expressão focal de colágeno tipo II, representante
de substituições fibrocartilaginosas.

TRATAMENTOS


Com relação ao tratamento das tendinopatias, em revisão recente, Rees, Wilson e Wolman citaram os mais freqüentes na literatura existente, entre eles o ultra-som terapêutico, o treinamento excêntrico e as técnicas de terapia manual.


Segundo Robertson e Baker e van der Windt, van der Heijden e van der Berg13, o ultra-som terapêutico é o recurso eletrofísico mais freqüentemente utilizado na prática fisioterapêutica, sendo largamente utilizado em vários países, como Canadá, Estados Unidos, Reino Unido, Austrália, Dinamarca, Finlândia, Nova Zelândia e Suíça.

Porém, atualmente, ainda há poucas evidências da efetividade clínica do ultra-som terapêutico, usado por fisioterapeutas para tratar dor e danos musculoesqueléticos e promover cicatrização de tecidos superficiais.

Este recurso utiliza freqüências entre 0,75 a 3MHz, com a maioria das máquinas fixando freqüências de 1 ou 3MHz.

FREQUÊNCIA DO ULTRASSOM

O ultra-som com a freqüência de 1 MHz é absorvido primariamente por tecidos com profundidade de 3 a 5cm e assim recomendado em lesões profundas ou em pacientes com mais tecido subcutâneo.

Já a freqüência de 3MHz é recomendada para lesões em tecidos mais superficiais, com profundidade de 1 a 2cm.

O ultrassom pode induzir efeitos físicos térmicos e não térmicos nos tecidos, com os não-térmicos podendo acontecer acompanhados ou não dos térmicos.

EFEITOS TÉRMICOS DO ULTRASSOM

Os efeitos térmicos do ultrassom sobre os tecidos incluem aumento do fluxo sanguíneo local, redução de espasmo muscular, aumento da extensibilidade das fibras colágenas e resposta pró-inflamatória.

Porém, quando em demasia, causariam danos aos tecidos, através da formação de ondas estacionárias, assim, podendo necessitar da utilização de ondas pulsadas e do movimento contínuo do transdutor durante o tratamento para serem minimizados.

Tem sido sugerido que os efeitos não-térmicos do ultrasom, principalmente cavitação, mudanças de pressão no fluído dos tecidos e correntes acústicas, movimento unidirecional dos fluídos ao longo das membranas das células são mais importantes no tratamento de lesões de tecidos superficiais que os
efeitos térmicos, pois acredita-se que promovam alterações na permeabilidade e no metabolismo celular, interagindo com um ou mais componentes da inflamação, otimizando o processo, e, por fim, formando fibras de colágeno mais densas e aumentando a resistência do tecido à tração.

Quanto ao treinamento com exercício excêntrico, recentemente tem sido renovado o interesse em seu uso no tratamento de doenças degenerativas tendíneas.

EXERCÍCIO EXCÊNTRICO

O exercício excêntrico envolve o alongamento ativo da unidade de tendão muscular.

Seus efeitos sobre o tecido lesado têm sido reportados como reduções estatisticamente significativas no espessamento do tendão e na redução do sinal intratendíneo, após três meses de treinamento excêntrico, sugerindo melhora cicatricial com depósito de colágeno.

Öhberg e Alfredson, em estudo com exame Doopler, evidenciaram que a neovascularização do tecido está envolvida na resposta ao exercício excêntrico.

Tais resultados foram obtidos aplicando-se o protocolo de Alfredson, que consiste em três séries de 15 repetições realizadas duas vezes ao dia, durante 12 semanas.

Apesar de adequado, este protocolo se torna inviável quando aplicado no
atendimento ambulatorial.

Dentre as técnicas de terapia manual usadas no gerenciamento de tendinopatias, as mais comuns são a massagem profunda transversa e mobilização de tecidos superficiais por massagem, com resultados positivos no alívio de dor.

MOBILIZAÇÃO ARTICULAR

Porém, a mobilização articular nos movimentos acessórios tem efeitos fisiológicos que podem ser benéficos nessas disfunções.

Foram identificados três fatores que permitem a utilização da manipulação, com técnicas rítmicas ou oscilatórias, para auxiliar na reorganização do tecido: facilitar o processo de reparo, influenciar a estrutura e comportamento mecânico de tecidos, e afetar a dinâmica dos fluidos.

Segundo Maitland, existem cinco graus para a classificação por suas diferentes formas de aplicação e efeitos fisiológicos:

GRAU 1 é caracterizado por micromovimentos no início do arco, tendo como efeito fisiológico a entrada de informações neurológicas através de mecanorreceptores, ativando as comportas medulares;

GRAU 2, movimento grande no meio do arco, que, além de ativar as comportas medulares, estimula o retorno venoso e linfático, causando clearance articular;

GRAU 3, movimento por todo arco, causando os mesmos efeitos do grau II acrescido de estresses nos tecidos encurtados por aderências;

GRAU 4, micromovimentos no final do arco que promovem estresses teciduais capazes de movimentar discretamente tecidos fibróticos.

Essas quatro graduações são classificadas como mobilizações articulares.

Já o grau V, trata-se da manipulação articular, apresentando movimento minúsculo de alta velocidade no meio do arco, que promove a quebra de aderências, ativa os órgãos tendinosos de Golgi, podendo alterar drasticamente as condições dos tecidos que envolvem a articulação.
Logo, a mobilização articular nos graus II e III teriam como objetivo direcionar o processo de remodelamento tecidual, reduzindo a proliferação de tecido fibrótico, diminuindo a formação de pontes cruzadas de colágeno e de adesões do tendão aos tecidos que o cercam.

Influenciaria também a dinâmica dos fluidos, que ajudaria a reduzir o acúmulo de subprodutos da inflamação, e, assim, modulando o processo de dor.

LEIA O ARTIGO COMPLETO: https://www.scielo.br/pdf/rbfis/v12n4/a08v12n4.pdf

Um abraço com muita saúde!

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